Histórico

A Cia Treme Terra vem consolidando sua pesquisa artística em dança desde 2006, e tem ampliado sua área de atuação, se destacando como uma das poucas companhias brasileiras que adota o estilo e o pensamento de uma produção artística calcada no conceito de “Dança Negra Contemporânea”. Dirigida por João Nascimento e Firmino Pitanga, a Cia desenvolve um estudo técnico em práticas corporais associadas à Dança Moderna, à Capoeira e à Dança dos Orixás em constante diálogo com a música ao vivo que advém dos tambores tradicionais (rum, rumpi e lé) e instrumentos eletroacústicos. Desta forma, a Cia tem sido pioneira no conceito de “Dança Negra Contemporânea” como uma dança que se organiza de modo transcultural e transdisciplinar, configurando-se como uma “Cultura de Resistência”*, embrenhada por questões políticas atreladas ao histórico marcado pelo processo da diáspora africana no Brasil.

 

Nas heranças Africanas encontram-se fortes raízes culturais do povo brasileiro que nos tornam o que somos hoje e o que seremos no futuro. A África como berço do mundo e da humanidade contribuiu e ainda contribui de maneira significativa para a formação da cultura brasileira, através dos diversos povos, Bantus, Jejes, Nagôs, bem como a participação dos nativos indígenas e povos imigrantes de outras origens civilizatórias que chegaram no Brasil no período colonial até os tempos modernos. Em um contínuo processo de realimentação cultural entre as Américas e as múltiplas Áfricas, territórios expandidos de referências estéticas, temáticas e poéticas infinitas, uma ponte se forma a partir do intercâmbio cultural entre esses pólos, numa perspectiva esférica e mutante, num olhar orgânico e emotivo que se funde e se amplia por um leque de percepções, gestos, sonoridades, ambientes, imagens e sentimentos de Áfricas vivas e dinâmicas presentes no cerne da cultura brasileira.

 

A dança dos Orixás está presente no ambiente tradicional do Candomblé (manifestação de matriz africana enraizada e remodelada para um contexto de Brasil), que muito vem contribuindo como fonte de inspiração, criação e a ampliação de temas e vocabulários de movimentos que compõem o panorama histórico da construção de identidade cultural brasileira. Diante da riqueza, diversidade e complexidade de movimentos oriundos das danças dos Orixás, associados também a linguagem da capoeira, a Cia Treme Terra durante 13 anos de existência vem aprofundando e ampliando o conhecimento no vocabulário dessas técnicas, propondo em seu repertório cênico, coreográfico e musical, a recriação e ressignificação de movimentações e sonoridades, produzindo um repertório de obras contemporâneas que discutem questões sócio-políticas relacionadas ao modo de vida no cotidiano brasileiro e seus paradoxos, podendo citar os principais espetáculos: Cultura de Resistência; Terreiro Urbano; Pele Negra, Máscaras Brancas; e o Anonimato - Orikís aos Mitos Pessoais Desaparecidos.

 

Fundada na periferia da zona oeste de São Paulo, a Cia também fomenta atividades sócio-culturais para a formação de jovens de baixa renda que se encontram em vulnerabilidade social.

 

A Cia Treme Terra possui um vasto histórico de apresentações em importantes teatros do Brasil, podendo-se citar: Auditório do Ibirapuera, Sala Olido, Sala Paissandú, Teatro Sérgio Cardoso, Teatro Polytheama, Itaú Cultural, Centro Cultural Vergueiro, Sala Paschoal Magno, Teatros da rede SESC, entre outros.

 

Fora do Brasil o grupo também circulou em cidades como Hagen, Jena, Hamburg, Ludwigslust e Dortmund na Alemanha, Plodviv na Bulgária e também realizou workshops na Universidade de Cobija, na Bolívia.

 

REPERTÓRIO DE ESPETÁCULOS DA CIA TREME TERRA:

 

TERREIRO URBANO

Uma criação coletiva da Cia TREME TERRA inspirada na mitologia dos orixás, composta por coreografias e músicas que dialogam com este universo e formam fotografias da diáspora

africana e suas influências sobre outras culturas existentes na grande metrópole. TERREIRO URBANO está baseado na representação simbólica de um xirê (cerimônia tradicional de saudação e exaltação a todos os orixás, sequência de danças do candomblé, que começa com Exu e finaliza com Oxalá), uma releitura contemporânea, um caleidoscópio da cultura afro-brasileira a partir da mitologia dos orixás, seus cantos e movimentações.

 

Na crença yorubá, os orixás representam as forças da natureza e recebem a incumbência de criar e governar a terra, ficando cada entidade responsável pelas dimensões emocionais, sociais e culturais da sociedade. As danças legitimam o sagrado e principalmente comunicam, trazem antigas memórias, ancestralidade, mitos fundadores e também a estética ritualizada do orixá.

 

Com o intuito de investigar o terreiro tradicional em seu contexto urbano, as músicas caminham nessa mesma perspectiva: canções brasileiras algumas cantadas em dialeto yorubá e Angola são acompanhadas dos toques tradicionais específicos dos orixás (ijexá, congo, barra-vento, alujá, batá, ilú, e outros), formando trilhas autorais que são executadas em tambores tradicionais, tambores de Sucatas, instrumentos convencionais (flauta, saxofone, cavaquinho e contrabaixo) e instrumentos eletrônicos (processadores digitais), formando arranjos peculiares contemporâneos que misturam elementos da música tradicional dos terreiros e da música moderna urbana.

 

Referências em vídeos:

Coreografia Yansã: https://www.youtube.com/watch?v=qT_hYiF7mxQ

Coreografia Oduduwa: https://www.youtube.com/watch?v=lZOaaUJxJyA&t=4s

Sobre o espetáculo: https://www.youtube.com/watch?v=vBFVCMuOASs&t=3s

 

PELE NEGRA, MÁSCARAS BRANCAS

 

“Na linguagem está a promessa do reconhecimento; a linguagem, um certo idioma, é assumir

a identidade da cultura. Essa promessa não se cumpre, todavia, quando vivenciada pelos negros. Mesmo quando o idioma é “dominado”, resulta a ilegitimidade”.

 

O texto citado acima foi retirado do livro homônimo “Pele Negra, Máscaras Brancas” inscrito por Frantz Fanon, onde exemplifica a busca incessante pelo domínio linguístico dos negros martinicanos quando chegavam em París, o idioma da grande cidade (sotaques e estilos linguísticos), tornavam-se ferramentas de exclusão para aqueles que não detinham tais códigos, revelando-se um fracasso para aqueles que buscavam na grande metrópole francesa a sua aceitação e ascendência social perante aos colonizadores.

 

Neste espetáculo a Cia Treme Terra aborda de maneira poética, cenas amalgamadas que discutem o racismo diante da patologia sócio-cultural e os rituais de cura inspirados nas manifestações dos terreiros de candomblé a partir de uma releitura contemporânea e urbana.

Inspirado no livro “Pele Negra Máscaras Brancas” inscrito por Frantz Fanon (intelectual nascido na Martinica), a Cia Treme Terra cria o espetáculo inédito baseado em estudos sobre as relações étnico-raciais no Brasil.

 

Escrito em 1952, o livro tornou-se referência para os movimentos anticolonialistas e os

movimentos negros das américas, embora tenha-se passado mais de meio século desde a sua

escrita, tornou-se um clássico da literatura negra que ainda hoje desperta uma importante reflexão sobre as máscaras brancas, a convivência entre negros e brancos e o comportamento dos descendentes de africanos diante de uma sociedade colonizada carregada de tradições racista e escravocrata. O autor, psicanalista Frantz Fanon faz uma abordagem sobre a

relação entre o colonizador e o colonizado, a partir da psicologia, desmistificando o complexo de inferioridade.

Referências em vídeo:

Sobre o espetáculo: https://www.youtube.com/watch?v=5Gn3KbQ_X8w&t=3s

ANONIMATO - Orikis aos Mitos Pessoais Desaparecidos

Espetáculo de dança negra que revela situações do cotidiano brasileiro, bem como, aspectos ligados ao soterramento e aniquilamento das memórias negras no seio de uma sociedade eurocentrada, marcada por um histórico secular racista e colonialista, que violenta pessoas e tradições culturais de matrizes africanas, indígenas e periféricas. De maneira poética (não dissociada a política, como discurso libertário), a obra aborda o genocídio etnico-cultural e suas consequências na vida social urbana, a invisibilização de mestras e mestres da cultura popular brasileira abandonados a solidão e o esquecimento.

 

Traçando um paralelo simbólico com os rituais de axexê, suas relações com eguns, orixás e nkisis que estão fortemente associados a morte, bem como ao renascimento e outros desdobramentos, a Cia Treme Terra aprofunda sua pesquisa mitológica partindo das tradições bantu/angola e yoruba no Brasil, estudos de movimentações para um corpo que dança e reverbera sons percussivos e vocais, dando origem as re-criações cênicas inspiradas (de maneira não literal) em histórias recolhidas de importantes personagens da cultura negra e periférica.

Referências em vídeo:

Sobre o espetáculo: https://www.youtube.com/watch?v=eHCsWj6DjHc

 

Premiações, Programas e Editais

Primeiras Obras do Centro Cultural da Juventude (2008)

PONTO DE CULTURA da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo (2009)

ProAC Gravação de Discos Inéditos (2012)

PRÊMIO STARBUCKS em parceria com a rede Youth Action Net (2012)

PRÊMIO VIRADA SUSTENTÁVEL (2014)

ProAC Circulação de Dança da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo (2015)

Prêmio Klauss Vianna de Dança da Funarte (2015)

20º Programa de Fomento a Dança da Cidade de São Paulo (2016)

 

DISCOGRAFIAS

Em 2010 produz seu primeiro álbum musical intitulado “Cultura de Resistência”.

www.culturaderesistencia.org.br

Em 2017 produz o segundo álbum musical intitulado “Terreiro Urbano”.

www.terreirourbano.org.br

 

PROJETO SOCIAL

Compreendendo a arte como meio de transformação social, desde 2006 o Treme Terra realiza atividades em comunidades desprovidas de equipamentos culturais. Em 2009 a Cia Treme Terra cria o Ponto de Cultura Afrobase, núcleo de educação e cultura afro-brasileira na periferia da zona oeste de São Paulo e oferece cursos de formação artística para jovens de baixa renda em situações de vulnerabilidade social.

https://www.youtube.com/watch?v=5arWpOTC3zw

https://www.youtube.com/watch?v=RFTzFj8qY5s

 

 

FICHA TÉCNICA DA COMPANHIA:

Direção geral e musical: João Nascimento

Direção coreográfica: Firmino Pitanga.

Elenco:  Ana Vitória, Luciano Virgílio, Thiago Bilieri, Terená Kanouté, Tito Nascimento, AfroJu Rodrigues, João Nascimento, Pedro Henrique, Daniel Pretho, Junior Santiago, Bira Nascimento, Jotabê Arantes, Abraão Santos e Spyke

Iluminador e técnico de luz: André Rodrigues.

Técnico de som: Lindemberg Oliveira.

Cenário: Julio Dojcsar

Cenário digital: Achiles Luciano.

Produção executiva: Fernanda Rodrigues

Produção: Alexandre Alves e Pedro Henrique

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